A Sociedade do Cansaço e a modinha das “amizades de baixa manutenção” — 2025
A Sociedade do Cansaço e a modinha das “amizades de baixa manutenção” — 2025
Vivemos em uma época em que todo mundo parece exausto. Não apenas cansado do corpo, mas cansado da mente, das cobranças, das expectativas, da obrigação permanente de performar.
Byung-Chul Han chamou isso de “Sociedade do Cansaço” — um mundo onde todos são pressionados a ser infinitamente produtivos, eficientes e emocionalmente fortes, mesmo quando estão em frangalhos por dentro.
E, talvez por isso, 2025 tenha trazido uma nova moda que se espalha pelas redes sociais como se fosse sabedoria:
“amizades de baixa manutenção.”
O slogan parece bonito: leveza, simplicidade, poucas demandas.
Mas, na prática, muita gente está usando esse termo como desculpa elegante para justificar vínculos frágeis, relações descartáveis e afetos que só funcionam quando não exigem esforço algum.
É a romantização moderna da preguiça emocional.
A verdade é que amizade sempre exigiu — e sempre exigirá — presença, escuta, atenção, reciprocidade.
Ninguém precisa falar todo dia, é claro.
Mas existe uma diferença enorme entre dar espaço e simplesmente não se importar.
Em uma sociedade acelerada, onde todo mundo corre atrás de algo que nem sabe o que é, as relações humanas passaram a competir com notificações, compromissos, algoritmos, burnout, ansiedade e a eterna sensação de que nunca estamos fazendo o suficiente.
E assim, para não sentirem culpa por não estarem presentes, muitos preferem rotular-se como “pessoas de baixa manutenção” — quando, na verdade, são vínculos de baixa profundidade. Han descreve esse fenômeno de forma indireta ao falar da exaustão do indivíduo contemporâneo: estamos tão sobrecarregados que até amar virou tarefa.
E, na era das relações líquidas, qualquer sinal de esforço é visto como peso. O problema é que, sem esforço, também não existe conexão verdadeira.
As amizades de verdade não pedem manutenção constante, mas pedem consideração.
Não exigem presença diária, mas exigem verdade.
Não precisam de prova, mas precisam de respeito.
A sociedade do cansaço transformou tudo em desempenho — até os sentimentos.
Ser “fácil de lidar” virou meta de vida.
Ser “independente emocionalmente” virou moeda social.
E, quando alguém demonstra sensibilidade, vulnerabilidade ou necessidade humana de afeto, logo é visto como “caro demais para manter”.
Enquanto isso, as pessoas seguem colecionando contatos, não amizades.
Coexistindo, não convivendo.
Digitando rápido, mas sentindo pouco. A verdade é simples e antiga:
amizade não é sobre ser baixa manutenção, é sobre ser alta verdade.
O resto é modinha — e como toda modinha, passa.
No fim, cada um precisa se perguntar:
que tipo de relação estou aceitando para aliviar meu cansaço? E que tipo de relação estou perdendo por não querer investir energia?
Em um mundo que nos esgota, o maior ato de coragem talvez seja esse:
escolher pessoas com quem vale a pena descansar.
— Astronauta Atemporal🦉📚☕
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